Escrever por voz: o teclado cobriu-se de pó

Hoje filmei um vídeo no telemóvel para a minha mulher — para mostrar como tenho a secretária organizada lá em casa. Pus a câmara inclinada, passei o dedo pela tecla F e… juntei no dedo uma camada de pó visível. Na fila dos números há ainda mais. Nas teclas com símbolos ({, }, [, ]) — quase como numa prateleira atrás do armário.
Isto é o ROI físico do Commander Flow.
De onde vem tanto pó
Tenho um teclado mecânico com switches castanhos. Até setembro batia-lhe uma vez por semana — sacudia migalhas, soprava, limpava. Agora? Não me lembro de quando o fiz pela última vez.
A resposta é simples: quase não escrevo. O meu dia é assim:
- 06:30 — café, abro o Telegram, respondo a tudo por voz com o atalho
- 07:00 — Gmail, dito 10 emails seguidos
- 09:00 — call de trabalho, notas por voz no Obsidian entre as falas dos outros
- Ao longo do dia — Slack, Discord, GitHub issues, tudo por voz
- À noite — posts no LinkedIn, também por voz
O que sobrou de escrita real é em três sítios: comandos no terminal, passwords (uma vez por dia, e nem sempre) e atalhos. Tudo o resto é Commander Flow.
«Deixei de reparar que tenho um teclado. É um mau teste para o pó e um bom teste para a ferramenta.»
O que me impressionou mais do que o pó
O silêncio. Trabalho num apartamento arrendado, com paredes finas. Os vizinhos durante anos ouviram o meu mecânico — sobretudo o Enter, em que eu sempre batia com mais força. Agora, dos sons em casa só fica a minha voz, baixinho, uns 5 a 10 minutos por hora no total. A vizinha de baixo, ao encontrar-me, disse: «mudou alguma coisa, ficou mesmo silencioso». Não me alonguei a explicar o LLM offline.
Não sou «pessoa de voz», e é aí que está o truque
Antes do Commander Flow nunca tinha usado entrada de voz. A Siri irritava-me. O Google Assistant também. Não tinha o hábito de «falar com o aparelho». Em 2024, se me dissessem que ia passar a voice-input, ria-me.
O que mudou?
Nada vai parar à cloud. Trabalho com documentos confidenciais de clientes. Qualquer ditado em cloud era para mim inviável só pelos NDAs. O Commander Flow corre o Whisper e o LLM localmente — posso ditar o conteúdo de qualquer contrato em paz. Tira-me a maior barreira.
Sem «comandos» — ditado normal. Aqui não é preciso dizer «OK Google, escreve um email». Mantém-se a tecla premida e fala-se como se pensa — exactamente o que se escreveria com os dedos. Sem wake-word, sem o ritual desconfortável de «estou a falar com o assistente».
O que ainda me chateia
Pediram-me para escrever com honestidade, não como promo. Está bem.
Não consigo ditar nos transportes públicos. Quer dizer, consigo, mas as pessoas olham. É um problema social meu, não do software, mas o facto está aí: num portátil num café dito baixinho contra a gola, e fica estranho. A solução é habituar-me. Em um mês deixei de ter vergonha.
Em chamadas muito altas, o atalho às vezes não apanha o início. Se já estou ao telefone com alguém e em simultâneo dito no Slack — o VAD apanha a voz da outra pessoa. É um cenário raro, mas existe. A equipa está a trabalhar num bind a um dispositivo de entrada concreto.
Efeito secundário com que ninguém contava
Comecei a falar melhor na vida real. Não mais depressa, não mais alto — com mais estrutura. Meses a ditar emails e posts todos os dias treinaram-me a dizer uma ideia em uma frase. A minha mulher brincou há dias que «agora falas como escreves». Foi antes de ela saber que já não escrevo.
O que sobrou do velho teclado
O teclado com pó continua na secretária. Não o tirei, não o substituí, não passei para um pequeno. Faz falta para comandos, passwords, IDE. De ferramenta principal passou apenas a secundária.
Da própria aplicação saíram muitas coisas, mas foi este efeito — o de transformar a ferramenta principal em secundária — o mais inesperado.
Experimente
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